Cerveja no Brasil

Nossos colonizadores portugueses não eram consumidores de cerveja, muito menos os naturais da terra, que sequer a conheciam. A bebida chegou ao país, possível e provavelmente no século XVIII, com a colonização holandesa (1634-1654), pela Companhia das Índias Ocidentais. Os flamengos, grandes apreciadores de cerveja, tinham uma boa organização política, bem como de suprimentos e até de cultura e lazer. Com a saída dos holandeses em 1654, a cerveja deixou o país por um século e meio, só reaparecendo no final do século XVIII e início seguinte. Até então a cerveja chegava ao Brasil contrabandeada para o Recife, Rio de Janeiro e Salvador. A partir de 1808, inúmeros comerciantes estrangeiros, principalmente ingleses, instalaram-se no Brasil trazendo a cerveja da Europa. A cerveja inglesa dominou por longo tempo o mercado brasileiro, com a Porter e a Pale Ale, oriunda de Burton Upon Trent, menos alcoólica. A partir de 1865 o Brasil produzia as primeiras cervejas, de qualidade inferior e mais barata. No final do século a importação pela cerveja alemã era intensa, pois vinham engarrafadas e em caixas, ao contrário das antigas cervejas inglesas, até então trazidas em barris. No século XIX o oficial alemão Carl Seidler encontrou no Rio Grande do Sul imigrantes alemães com conhecimento para fabricar lucrativamente cerveja. Em 27 de outubro de 1836 aparece no Jornal do Comércio do Rio de Janeiro um anúncio no qual se oferecia cerveja brasileira. Nos anos de 1860 e 1870 houve um grande aumento da produção de cerveja que se mateve até a Primeira Guerra Mundial, quando não se pôde mais obter cevada e lúpulo de procedência alemã e austríaca. Nossas cervejas artesanais tinham um precário controle de fermentação e consequentemente uma pressão variável. As rolhas eram presas às garrafas por barbantes (como se fixam champanhe com arame).

As primeiras cervejas industrializadas do país surgiram nas décadas de 1870 e 1880. A pioneira foi a de Friederich Christoffel, em Porto Alegre, que em 1878 produzia mais de um milhão de garrafas.

Em 1880 instalaram-se no Rio de Janeiro as primeiras máquinas compressoras frigoríficas, que produziam gelo artificial. Com essa tecnologia pode-se obter uma cerveja de baixa fermentação uniforme e límpida, como as Bavária e da Boêmia. Data desta época a fundação das duas cervejarias que viriam a dominar o mercado nacional, a Companhia Cervejaria Brahma do Rio de Janeiro e a Companhia Antartica Paulista.

Em pouco mais de uma década a empresa Brahma viria a registrar quase uma dúzia de marcas, como são exemplos a cerveja Bier, a Crystal, a Pilsener, a Franziskaner-Brau, a Munchen, a Guarany, a Ypiranga, a Bock-Ale ou a Brahma Porter entre outras.

Curiosidades da cerveja e das cervejarias do Caminho Cervejeiro

1. A Cervejaria da Ilha é uma das 5 micro-cervejarias mais antigas do Brasil

2. Você sabe a diferença de Chopp e Cerveja? No Brasil Chopp é considerado a cerveja antes de sua pasteurização e cerveja é o chopp pasteurizado, mas esta conceituação não é técnica e sim uma questão de tradição popular devido ao entendimento equivocado sobre a palavra schoppen que significa meio litro e era extraído diretamente dos barris pelos mestres cervejeiros para provar ou degustar a bebida. Com isso a palavra foi interpretada errada e até hoje muitos utilizam mal este termo. Na realidade muitas cervejas são servidas ou embaladas vivas, sem pasteurização o que não significa que sejam chopp.